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o lugar do homem no casal



O homem no casal

Jean-Marc BOUVILLE 7/10/17 Rio de Janeiro

Em primeiro lugar, agradeço muito os responsáveis do Colóquio, especialmente Cynthia Ladvocat pelo convite. Espero poder fazer uso da língua portuguesa de forma clara para expor minhas contribuições e permitir uma compreensão suficiente do meu material.

1.Não são um especialista das questões conjugais. Então u fiz varias pesquisas durante esses ultimos meses sobre essa questão e saia dessas reflexões um texto muito longo e achai finalemente na minha clinica, casos interessantes...ou espero que sejam . Precisava cortar e cortar para entrar nos criterios do coloquo

2. Eu falo com pensamentos e reflexões psicanaliticas do outro lado da Atlantica onde acho que as preocupações estão diferentes. O importante e a oportunidade de intercambio justamente entre dois mundos culturais.

A questão que eu quero tratar hoje é a seguinte : “ No passado recente, as posições subjetivas e sociais do homem e da mulher num casal eram claramente estabelecidas seja pela religião, pela lei ou pela tradição. Como escrevia São Paulo na Epístola aos Efésios :

“Ef 5:23 "Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja."

Atualmente, levando em conta os movimentos e as transformações da sociedade, a lei fundamental brasileira declara : “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”. Isso não determina totalmente o campo da igualdade, sobretudo no que diz respeito aos momentos da vida cotidiana de um casal.

A questão é : como homens e mulheres vivem essa nova situação caminhando para uma igualdade social, econômica e política e, constatando ao mesmo tempo, no íntimo e no cotidiano, a diferença sexuada ? Vamos trazer algumas ilustrações clínicas dessa clivagem entre a vida no espaço social e a vida psíquica e íntima dos dois protagonistas num casal. Os nossos pacientes chegam muitas vezes para falar dos seus relacionamento, dos conflitos, das problemas entre eles, das questões de divisão das tarefas no cotidiano, da guarda dos filhos, do egoísmo dele... Guardam muitas vezes a ilusão do início do encontro amoroso, ou seja, pensar a vida de casal como se fosse bastante fácil, durável, graças unicamente ao sentimento de amor. Eles esquecem uma conclusão de Freud sobre o amor : Não se encontra o amor, mas encontra-se de novo a mesma relação vivenciada no amor primordial, aquele que foi na infância entre a mãe e o bebê. Ou com um pouco mais de precisão, encontramos o mesmo tipo de vínculo sentimental, o que não significa que esse vínculo permite realizar o “ UM “ perfeito entre dois sujeitos.

Conhecemos a expressão de Lacan : “ a relação sexual não existe (no sentido de “proporção matemática), as relações sexuais existem sim e são muitas”. Lacan queria assim fazer uma brincadeira com a palavra “relação”, que não tem equivalência entre M e H. São dois universos psíquicos comportando dois tipos de real do corpo, de imaginário e de simbolização, quando se encontram. Lembramos do diálogo de Platão no “Banquete” e do mito de Aristófanes : No início do mundo, os seres humanos eram duplos (duas pessoas em um só corpo), andróginos ou inteiramente homem ou inteiramente mulher. Vemos aí tres tipos de ser humano : metade mulher/metade homem, um ser formado de dois homens ou de duas mulheres. No mito de Aristófanes, o humano tinha a forma de uma esfera que se deslocava rolando sobre si mesma. A ambição dos seres humanos era se igualar aos deuses e Zeus deu-lhes uma punição. Não os matou mas diminuiu-lhes a potência cortando a esfera em duas partes. Assim, os andróginos separados em duas pessoas só puderam chorar a unidade original, e passaram a buscar a outra metade. Somente graças ao amor, o homem e o mulher podem recriar novamente a unidade primária do andrógino. Aqueles que eram todo homem ou toda mulher, cortados também em duas partes, vão formar um homem amoroso de um outro homem ou mulher amorosa de uma outra mulher.

Linda história sobretudo interessante porque ela pode nos indicar o quanto é dura a condição do ser humano adulto, que deve viver sempre com a ausência de um objeto. Dar-se conta do quando era ilusão o fazer “um” - “ser um” - com a mãe, no início da vida. A entrada na linguagem fabrica uma perda fundamental, perde o sentido de ser completo como pode se sentir o cachorro depois de comer. Danielle Bastien chama-o : o espaço psíquico do casal, a parte psíquica comum, feita de diálogos, de palavras, de significantes, espaço onde os dos protagonistas podem viver o intercâmbio de fantasmas e sintomas singulares a cada um vivendo, de vez em quando, momentos intensos de ilusão fusional em um “UM” impossível. Como do lado do primeiro homem que se considera como o criador da mulher, interpretando mal a palavra do único Criador : “eis agora aqui , disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne ; ela se chamará mulher porque foi tomada do homem” ( Gênesis II,21) Uma das origens da complexidade dos relações entre M/H nasce desse grito de poder do H sobre a primeira mulher. Muito sutil pois essa palavra pronunciada pelo homem, é uma pura invenção dele, põe em cena o seu imaginário, considerando-se como o iniciador do lado feminino da humanidade.

Por outro lado, ouvimos nessas palavras de Adão, que ele se dá conta que agora lhe falta realmente ...um osso. E que na verdade, na realidade íntima do sexual masculino, ele deve levar em conta o que a experiência lhe ensina : que de fato, esse órgão não é um osso. Lacan declara : “ o homem não é sem ter”. Vocês entendem bem de que se trata esse com o verbo ter

Voltamos ao nosso casal banal, antes de falar do homem especialmente. Danielle Bastien declara que existe dois níveis de conjugações entre M e H, um que se situa entre os dois sintomas e o outro, bem alojado, entre os dois fantasmas. A ideia é que não existe complementaridade entre as duas fantasias, nem mesmo semelhança, como podemos pensar : “ Ah essa é verdadeiramente a mulher que eu esperava”. “ Nós formamos um mundo único, só nós dois”. O véu do sentimento amoroso serve para dar a ilusão de uma complementaridade ou de uma semelhança no início do encontro sentimental. Mas por que além dessa ilusão, passada a lua de mel amorosa, na vida cotidiana entre dois sujeitos, a relação vai durar ? Ilusão permanente ? Não. Danielle Bastien argumenta que é necessário achar para cada um no casal, um compromisso possível com o sintoma estrutural singular de cada sujeito. Por exemplo, o clássico traço de união, a clássica díade entre uma mulher histérica e um homem obssessivo. A mulher pensa : “ Esse homem silencioso acha que ele é o meu mestre. Mas eu sei que posso deixar ele para trás. Eu vou mostrar para ele quem eu sou” O Homem pensa : “ O que que essa mulher quer de mim ? Ela me persegue sempre, eu tenho medo de não estar a altura, então eu fujo sempre das discussões, eu não quero conflitos. Se eu começar a argumentar eu vou acabar ficando com raiva, então eu deixo para lá.”

Por um lado, pode ser também um sintoma de procurar “ajudar o outro, interesse em reparar o trauma do outro” (muitas vezes feminino) ou ainda um sintoma, como por exemplo a “injustiça da vida”. Podemos também fazer a descoberta que os dois - M e H - são marcados com o mesmo sintoma : de “corrigir a injustiça da vida e de trabalhar juntos para obter reparação e vingança.” Falamos aqui do pacto mútuo inconsciente, o lugar de encontro dos sintomas de cada um. Esses tipos de casal podem efetivamente se mostrar estáveis ao longo do tempo com uma condição suplementar, o jogo entre os duas fantasias. De fato, quando o analista ouve mais as singularidades do H e da M, pode reconhecer um sistema de conexões, de compromissos entre os duas fantasias, como se fossem duas fantasias que se conectam e desconectam do espaço psíquico em comum. A imagem emprestada ao sistema elétrico ilustra o processo contínuo, cotidiano entre os dois sujeitos. Existe sempre essa confrontação de polos entre fases diferentes e, durante todo tempo de duração do casal, observamos um compromisso constante e trabalhado dia-dia do tipo : “ Eu chamo você para o lugar preciso da minha fantasia e aceito, ao mesmo tempo, que você me solicite na sua fantasia”. Quadros de fantasias de homens e mulheres Para o Freud, a fantasia é uma produção imaginária evidenciando a estrutura de um cenário ao serviço da realização do desejo. O fantasma está na fonte do sintoma. Para Lacan, a fantasia serve como defesa estável para esconder a castração, e o fato de lidar com a certeza do vazio. No fantasma o sujeito mostra-se sempre de uma maneira única, pessoal, como num sonho que será sempre o mesmo. Como uma série de imagens duráveis, elaboradas de forma complexa, a partir de múltiplas lembranças infantis. Cada fantasma é singular, além da estrutura dos sintomas, e cada um vai conduzir o outro de maneira inconsciente para a conexão dos dois fantasmas. A relação do casal chegará a seu termo quando o homem, a mulher, um dia, vai fazer as contas : “ Por que eu aceitei essas demandas, esses pedidos dele, dela ? Agora isso é insuportável para mim” Ou “ Como é que eu pude suportar tal sintoma dele, dela ? Basta esperar sempre e sempre que ele, que ela mude, enfim, amanhã será diferente de hoje !” Ou seja : cai a ficha para um ou para ambos. Uma relação que era, de certa, forma velada, recoberta por um véu, agora se mostra na sua nudez.

Conhecemos tudos esse tipo de fala feminina especialemente quando mulheres tem uma boa posição social : Camille é uma mulher de 57 anos, executiva de alto nível, trabalhando no gabinete de diferentes ministros em Paris. Foi casada durante 20 anos com um advogado brilhante, homem mais velho (68 anos). O casamento foi o fruto de um encontro quando ela ainda era escolarizada no segundo grau e ele já estava na faculdade, período em que viviam na província, longe de Paris. Desse casamento, nasceram dois filhos, um rapaz que parou os estudos no final do segundo grau, não quiz fazer estudos superiores e trabalha como garçon e uma moça que estuda arquitetura de interior. Camille divorciou quando tinha 45 anos, revelando a seu marido que mantinha uma relação amorosa com um amigo deles, Jean-Paul. Ela abandonou o marido, totalmente surpreso e deprimido com essa revelação.

Camille vem consultar porque a sua história de amor com Jean-Paul acabou depois de várias experiências e tentativas de viver juntos, de ter uma vida social, de viajar : “ ele não leva em conta as minhas escolhas. Ao mesmo tempo, pouco me importa que o Jean-Paul saia com outras mulheres. Eu sei que ele me ama realmente. Eu o conheço muito bem, entendo-o perfeitamente. Só não suporto que ele faça sempre o que quer. Ele não faz nada como eu digo de fazer, ele não me obedece”. Pouco a pouco ela revelou também o quanto seu ex-marido era infantil, dependente dela para os mínimos detalhes do cotidiano : ir no supermercado, viajar, fazer a cama, lavar a louça, cuidar da casa, incapaz de pregar um prego na parede. Cansou de ouvir demandas do tipo : “ querida, onde estão as minhas calças, cadê os meus sapatos... ? querida, você pode cuidar do fulaninho ? Ele está chorando...”. Por fim, ela não suportou essa posição de mulher/mãe e por isso, preferiu ficar com Jean-Paul, que também tinha se separado da mulher. Porém, para conhecer uma grande perda, um desconforto imenso com ele. Jean-Paul não foi para ela o “principe encantado”, nem mesmo o rapaz que precisava unicamente de uma escuta materna. Aparecia mais como um homem buscando sempre uma nova mulher para pôr na cama, embora também precisasse de uma mãe : ela. Durante a análise, Camille não conseguia nem esquecer o Jean-Paul, nem tentar de novo uma relação com ele, nem achar um outro homem. Ficava sozinha, passava seu tempo ajudando a filha na sua escolaridade. A sua história famíliar é a seguinte : Pai e mãe vivendo no meio rural, numa vida tradicional, e ela nasceu depois a morte de um primeiro filho. Deram-lhe um nome masculino e feminino, o que leva a pensar que imaginariamente os seus pais a consideram como o filho perdido. De fato, ela tem as caraterísticas identitárias de um homem : grande capacidade de tomar decisão, iniciativa, voz forte de comandante, combativa, ambiciosa. Sobretudo, ela conhece tudo sobre tudo, sempre interrompe a palavra do interlocutor :” Ah, sim, é isso” “ Ah mas eu já sabia” “ você está enganado, a verdade é a seguinte”.... Ela foi também a primeira de 3 filhas, ocupando o papel de filha mais velha, com responsabilidades nessa função. Mesmo casada e vivendo longe dos pais, o vínculo continuou muito forte com os pais. Ela repete sempre : “ eu gosto de fazer tudo bem feito, de sempre ajudar as pessoas.” A sua aparência é feminina, mas é do tipo mulher esportiva, pronta pelas competições. No final, com o seu primeiro marido, ela se instalou em posição de mãe, o que aconteceu também com o amante. Ela gostava dele porque ele teve uma infância muito particular, com história de abandono pela mãe, durante um tempo. Sempre o significante de salvar alguém, o que nos faz pensar à uma posição de sacrifício, como a imagem da sua mãe que, segundo ela, sempre se exprime com as filhas em forma de queixas e queixas...

Ficou quase dez anos sem ter relações sexuais, até que o tempo passando, ela tomou consciência da velhice se aproximando, ao mesmo tempo em que a filha partia para a sua vida de adulta. Depois de várias tentativas de análise, agora, ela está querendo encontrar um homem, pela primeira vez da sua vida de mulher. Aos 57 anos, enfim, ela entendeu que são as mulheres que escolhem os homens, só com uma olhadinha. Parece pronta para aceitar a posição de se fazer “mascarada”, se fazer desejada, usual para uma mulher. Ela aceita que no encontro com um homem, em posição de competição com ele, não precisa responder no mesmo nível de linguagem e de tom como se ela estivesse pronta para passar num concurso. Parece que ela entendeu, enfim, que o amor fabuloso, eterno, extraordinário (pelo seu pai, numa posição infantil de enamorada, o que não tem nada a ver com sua alta posição social) era coisa de leituras românticas. Podemos dizer que, enfim, ela aceita a sua condição humana de mulher, a sua posição de sujeito com a castração, os limites. Na sua posição anterior, ela podia fazer tudo, mas não encontrar um homem. “ Eu sei fazer tudo, não quero um homem pelo dinheiro, nem na vida cotidiana, comprar isso ou aquilo, me dar conselhos. Em geral, o homem sabe fazer pouca coisa comparado comigo. Não ! eu quero só um bom companhero para ir ao cinema, viajar juntos, fazer amor... Subentendido : o homem perfeito, homem sem sujeito, bom ouvinte, pronto para ela em cada ocasão. Será que, por sorte, ele existe ?

Vamos ver se existe um lugar certo para o homem no casal atualmente. A descoberda de dois sexos se observa quando alguém ouve bem a criança, como Freud já fazia no século passado. Historia da palavra de “pintinho” e da “pepeca” pronunciada pela minha netinha. A existência de dois sexos faz realmente muito mal ao nosso desejo de um ser humano único ( para mim, a humanidade é masculina, claro). Quadro de androgina Levar em conta que existe um mundo psíquico diferente do meu mundo, que tem duas maneiras de chegar ao gozo do corpo, de viver e pensar, isso não é fácil. E chocante porque vem contra a idéia de igualdade dos seres humanos, vem contra o desejo de colar com um outro idêntico a mim, semelhante à mim. O escritor Pascal Quignard publicou há dez anos atrás um livro com imagens e texto sobre “ a noite sexual”, e escreve : “ Nós falamos, mulher e homem, a mesma língua, usamos das mesmas palavras mas em sentidos diferentes, porque essas palavras vem de corpos diferentes. Sempre ignoramos a posição sexual, a vida corporal e o comportamento psíquico que vem da possessão do outro sexo. “

O caso clínico do lado do homem : Um homem, na faixa dos 50 anos vem consultar com a sua companheira, justamente porque com ela, tudo funciona bem. Reconhecem o amor recíproco, falam com muito prazer do tempo que passam juntos, existe um perfeito acordo na vida doméstica, alegram-se com projetos no futuro, sonham com uma vida em comum até a velhice. Ele está muito feliz com o encontro raro, com uma mulher tão cultivada como ele e que gosta como ele de literatura, de viagens, de encontros com amigos, amigas... e sobretudo, ela não tem problemas com os filhos dele. Acontece como sintoma que ele entra em pânico no momento do ato sexual. Ele vive dolorosamente o que em italiano se chama de “fiasco”. Do primeiro casamento ele relata : “Eu era muito jovem e ela também, aprendemos juntos nossa vida sexual e, realmente, fora de algumas hesitações no começo, a nossa vida íntima foi muito boa até a separação, ao final de 30 anos de vida conjugal. Nunca eu tive nenhum fiasco”. A análise foi longa sem resultado eficiente. Do lado do homem, havia a questão seguinte : Quando ele encontrou a sua nova companheira, e que o fiasco começou, ela lhe disse : Eu conheço um bom sexólogo, marca um encontro e vai falar com ele”. Foi como uma ordem significando que ele não era capaz de fazer gozar essa mulher.

A falência estava do seu lado. Pior, lembrava-se da força da palavra de sua mãe que era forte na relação dos seus pais. Assim, o sintoma durou vários anos, como forma inconsciente de vingança contra ela,sua mulher, contra o seu conhecimento seguro da sua própria sexualidade. Durou até que veio a idéia de consultarem os dois juntos, o mesmo analista. Nesse contexto novo, ele ouviu com clareza a dor da sua companheira diante de seu pânico sexual. Ele pode também entender, pelo seu lado, de que forma a sua posição de homem respeitoso da igualidade H/M não era a melhor posição nos jogos sexuais. Era outra coisa. Em francês, ele dizia “ não quero fazer mal à minha mulher”, o que se ouve como : “ não quero fazer o masculino com ela” . A homofonia da língua francesa cria esse mal entendido entre “mal” e “mâle”. Mas esse problema tinha também outra origem : Na medida em que ele encontrou uma mulher e não uma mãe, ele escolheu : “o complexe de José frente a mulher de Potifar”, ou seja : fugir frente a sexualidade da mulher. “Você quer tudo de mim, eu te dou tudo, menos... o gozo sexual que voce pode ter em mim.

Varias vezes, ouvimos queixas pelo lado das mulheres : “ eu não acho um homem sólido, fiável” Pelo lado dos homens, vamos observar algumas respostas a esse tipo de pedida. Geralmente, as respostas oscilam entre autoritarismo ,inconsequência e passagem ao ato incontrolado, como diz Jean-Marie Forget. O que significa cada um desses termos ? O autoritarismo dos homens atuais existe ainda bem e suscita a revolta das mulheres : as imagens escandalosas mostrando o corpo feminino com o argumento de venda de objetos de consumo : casas, carros, ferramentas, viagens, filmes, emissões de TV, videogames e por fim alimenta a indústria dos filmes pornográficos, como a difusão de cenas sexuais muito cruas nas redes sociais. Autoritarismo dos homens políticos (a caricatura do discurso autoritário vem de Donald Trump, eleito presidente do primeiro país do mundo). Autoritarismo também dos discursos religiosos tradicionais com a ideia de manter a posição feminina como quase escrava, muito abaixo do homem. Mas esso autoritarismo masculino que progride, de uma certa forma, é o equivalente ao outro lado da resposta masculina, à inconsequência dessa posição. Quando uma mulher pode contar com o apoio da palavra de um homem confiável ? Muitas vezes, a palavra do homem não existe, o companheiro se revela silencioso, não se implica nas discussões. Me lembro de uma mulher jovem chorando no divã :” Eu ligo para ele todo dia, ele nunca atende na hora e, de vez em quando, nem responde. Ele não quer falar da decisão de morar junto, ele nem fala sobre o nosso futuro. Já fazem trés anos que a gente namora e ele não se decide”. Lembro-me ainda de uma outra palavra de mulher : “ Ele sumiu quando eu falei de ter um filho. Eu já tenho 34 anos. Faz 10 anos que vivemos juntos, no início ele falava de ter uma família e agora tenho a impressão que ele tem medo da decisão. Por que ?” Mais simples ainda : “ Ele não me ouve de jeito nenhum, não consegue sair nem viajar comigo. Ele não fala nada dele mesmo...”

A vigilância singular das mulheres no sentido de verificar a consistência da fala dos homens, corresponde ao medo forte que essa fala seja tirânica ou inconsequente, vazia e falsa. Com a diferença de posição subjetiva, vão se desenvolver varios quiproquós e varios conflitos nos casais. Exemplos ordinàrios : Do lado dos homens, a ideologia muito comum é a seguinte : “ Ela pergunta para mim uma coisa precisa tipo : O que que você acha da discussão com a minha chefe ? , eu faço a resposta, eu dou a minha risposta e...ela faz outra coisa. Então agora, eu não ouço nada dela ou fico calado e evasivo.” Do lado das mulheres, a queixa de não estar sendo ouvida pelo marido ou o companheiro. Ou culpar o marido de não tomar decisão, ou de fazer tudo do seu jeito sem levar em conta a sua opinão. Observamos que a mulher muitas vezes precisa falar com homem e perguntar, contar, e perguntar de novo... O homem diz a ela a sua posição, a sua convicção pensando que a mulher o seguirá. Não. Não se sente obrigada a seguir. A mulher so precisava de uma ancragem no discurso do homem e depois ela segue o seu camino, deixando o homem sem palavras, sem entender nada disso. O que ela queria ouvir, era o que ela quer fazer, e não uma ordem precisa, era uma forma mas certa, um tom diferente dela. O problema atual é que, nossas sociedades, como o discurso social promove a igualidade total, tudo isso se mistura. Os homens aparecem menos seguros e as mulheres mas certas com o resultado pouco a pouco de uma interrogação, como um sentido que cada um não obtem o que ele quer do outro. Como se a conexão das fantasias não se faz. Pouco a pouco, o sentido de amizade pode se instalar entre os dois e ao final, o casal muda do lado da tranquilidade, talvez com uma doce dependência ao outro e com um desejo comum pouco a pouco desaparecendo até estar ausente. Ou, talvez, a mulher não suporta a tirania do discurso dele, ele não suporta o comando dela ou então se separam, convictos que melhor seria ficar solteiro por longo tempo : “nessa cilada eu não caio mais”.

Conclusão Para concluir, finalmente, o título da palestra era “ O lugar do homem no casal . Um amigo francês fez a seguinte sugestão : “Porque não tratar do lugar do casal no homem ?” Não era o bom título. Melhor seria este : “As diferenças de posições sexuadas entre M e H no casal.” A noção de “equivalência” nos autoriza uma conclusão sobre o lugar do homem no casal. Existe com certeza uma igualdade, uma equivalência M/H porque tem dois sexos diferentes. Justamente, porque essa diferença sexuada é estrutural, deva ter os direitos iguais entre os dois sexos. Mas negar a posição sexuada da mulher e do homem nos leva por um mundo muito estranho onde cada um torna-se um outro aparentemente sem problemas. Acho que as sociedades tradicionais pensavam assim : Um homem vale mas que uma mulher. Este pensamento é errado, é do tempo da infância da humanidade. Nos dias de hoje, talvez estejamos entramos numa outra ilusão : a equivalência entre os dois sexos se transforma em semelhança, em idêntico. Vamos ver ! Só o tempo dirá !

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